Saída definitiva do carvão, eletrificação operacional e digitalização da rede aceleram estratégia climática da companhia; emissões diretas caem para 13,3 mil toneladas de CO₂ equivalente em 2025
A Copel encerrou 2025 com uma redução de 23% nas emissões diretas de gases de efeito estufa (GEE), consolidando um dos movimentos de descarbonização mais relevantes entre as utilities brasileiras nos últimos anos. O resultado reflete a combinação entre desinvestimento em ativos fósseis, modernização operacional e digitalização da infraestrutura elétrica, pilares que passaram a orientar a estratégia corporativa da companhia desde a implementação do Plano de Neutralidade de Carbono, em 2021.
De acordo com o inventário mais recente divulgado pela empresa, as emissões do chamado Escopo 1, aquelas diretamente associadas às operações da companhia, recuaram de 17.317 toneladas de CO₂ equivalente (tCO₂e), registradas em 2024, para 13.363 toneladas em 2025.
A queda ocorre após a Copel antecipar em um ano sua meta de operar com matriz de geração 100% renovável. O marco foi atingido em 2024, após a saída definitiva de ativos termelétricos movidos a carvão mineral, movimento que reposicionou a empresa dentro da agenda de transição energética e sustentabilidade corporativa no setor elétrico brasileiro.
Saída do carvão redefine perfil de emissões
O principal impacto na redução das emissões veio da descontinuidade de ativos fósseis, especialmente da Usina Termelétrica de Figueira, historicamente um dos maiores vetores de carbono da companhia.
A superintendente de Sustentabilidade da Copel, Luísa Nastari, destaca que a transformação da matriz operacional foi acompanhada por iniciativas voltadas à eficiência logística e à incorporação de novas tecnologias: “Os números comprovam o comprometimento da Copel com a transição energética e com práticas ambientais, sociais e de governança. Buscamos o desinvestimento em usinas térmicas, modernizamos a frota investindo em veículos elétricos e otimizamos processos produtivos e operacionais. Um exemplo disso é o uso de drones para diminuir o corte de vegetação no caso de novos empreendimentos do setor elétrico.”
Além da substituição de ativos de geração, a companhia vem ampliando a eletrificação de sua frota operacional e digitalizando processos em campo, reduzindo deslocamentos técnicos e emissões associadas à manutenção da rede.
UTE Figueira deixa de pressionar balanço climático
Dentro da trajetória de descarbonização da Copel, a saída da UTE Figueira representa um marco estrutural. A usina a carvão concentrava parcela significativa das emissões históricas da empresa e vinha sendo apontada como um dos principais entraves ao avanço da agenda ESG da companhia.
O engenheiro químico e analista ambiental Giovani Marcel Teixeira, coordenador do programa de mudança do clima da Copel, explica que a relevância do ativo dentro do inventário corporativo era desproporcional em relação ao restante do portfólio: “A usina representava quase um quinto das emissões da companhia. No passado, já representou mais de 90%. Além disso, a Rede Elétrica Inteligente da Copel contribui para a redução de gases poluentes. Serviços como ligações novas, religações e leituras são realizados de forma remota, o que reduz os deslocamentos e, consequentemente, as emissões.”
O avanço da digitalização operacional aparece agora como um dos principais instrumentos para redução incremental das emissões residuais. A expansão da chamada rede elétrica inteligente permite automatizar processos antes dependentes de equipes em campo, reduzindo consumo de combustíveis fósseis e ampliando a eficiência operacional.
Governança climática ganha peso estratégico
O inventário da Copel segue metodologia alinhada ao GHG Protocol, principal referência internacional para contabilização corporativa de emissões. O monitoramento engloba gases como dióxido de carbono (CO₂), metano (CH₄), óxido nitroso (N₂O), hidroclorofluorcarbonos (HCFCs) e hexafluoreto de enxofre (SF₆), este último amplamente utilizado em equipamentos do setor elétrico.
Os dados passam ainda por auditoria externa acreditada pelo Inmetro, exigência cada vez mais relevante para empresas listadas em índices de sustentabilidade e submetidas à pressão crescente de investidores institucionais.
Ao detalhar a complexidade técnica envolvida na consolidação das informações, Giovani Marcel Teixeira ressalta que a rastreabilidade dos dados se tornou um componente crítico da governança corporativa: “O volume de dados coletado para um inventário é muito grande. Ele passa por muitas mãos até chegar no valor final. Por isso, a auditoria torna-se complexa porque fazer a rastreabilidade da informação não é algo tão simples ou trivial. É preciso analisar, conferir os números e as evidências.”
Próxima fronteira: emissões indiretas e cadeia de fornecedores
Com a consolidação da matriz renovável e a redução consistente das emissões diretas, a próxima etapa da estratégia climática da Copel tende a avançar sobre o chamado Escopo 3, que envolve emissões indiretas associadas à cadeia de fornecedores, logística, consumo de clientes e serviços terceirizados.
O movimento acompanha uma tendência global entre utilities e empresas de infraestrutura, que passaram a concentrar esforços não apenas na descarbonização operacional, mas também na rastreabilidade ambiental de toda a cadeia de valor.
No mercado brasileiro, a redução estrutural das emissões posiciona a Copel entre as companhias elétricas mais avançadas em governança climática, em um momento em que investidores, reguladores e consumidores ampliam a pressão por metas concretas de neutralidade de carbono e ativos alinhados à transição energética.



