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Brasil e Bolívia avançam em interconexão elétrica de 420 MW e reforçam integração gasífera

Brasil e Bolívia avançam em interconexão elétrica de 420 MW e reforçam integração gasífera

Acordo bilateral prevê construção de linha de transmissão entre Corumbá (MS) e Santa Cruz; reunião no MME também tratou da operação da UHE Jirau em Cota 90 e da segurança no suprimento de gás natural.

Em um movimento decisivo para a integração energética da América do Sul, o Governo Brasileiro e o Ministério de Hidrocarbonetos da Bolívia selaram, nesta segunda-feira (16), novos compromissos para fortalecer o intercâmbio de eletricidade e gás natural entre as duas nações. O ponto alto da agenda foi a assinatura do acordo para a interconexão elétrica entre a província de Germán Busch, na Bolívia, e o município de Corumbá (MS).

O projeto binacional contempla a instalação de uma estação conversora de frequência em território brasileiro e a construção de linhas de transmissão com capacidade instalada aproximada de 420 megawatts (MW). A iniciativa visa aumentar a confiabilidade do suprimento nas regiões de fronteira e otimizar o uso das fontes de geração disponíveis em ambos os países.

Gás Natural: Bolívia mantém papel central na matriz brasileira

Apesar do crescimento da produção doméstica no Pré-sal, a Bolívia reafirmou sua posição como pilar da segurança energética nacional. Em 2025, o gás boliviano foi responsável por cerca de 38% das importações brasileiras, volume essencial para o atendimento industrial e termelétrico.

Durante o encontro bilateral em Brasília, o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia (MME), Gustavo Ataide, ressaltou a natureza de longo prazo desta cooperação: “Brasil e Bolívia mantêm uma relação histórica e estratégica no setor de energia. Queremos seguir trabalhando juntos para fortalecer a integração energética, o desenvolvimento econômico e a transição energética no nosso subcontinente”.

Monitoramento da Cota 90 em Jirau

Outro tema técnico de grande relevância discutido pelas delegações foi o acompanhamento da operação da Usina Hidrelétrica de Jirau, no Rio Madeira (RO). A partir de um Memorando de Entendimento firmado em 2024, a usina obteve autorização para elevar a cota de seu reservatório para 90 metros, o que resulta em energia adicional para o sistema.

As tratativas atuais, coordenadas pelo Comitê Técnico Binacional (CTB), focam no cumprimento das resoluções do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) sobre a repartição dessa energia extra e no monitoramento dos impactos ambientais e operativos na região fronteiriça.

O papel do Comitê Técnico Binacional (CTB)

A governança dessa agenda é sustentada pelo CTB, órgão criado em 2015 para dar corpo técnico ao Memorando de Entendimento de 2007. Atualmente, o comitê está subdividido em frentes de trabalho que abrangem desde a Mesa Técnica de Gás até grupos específicos para integração elétrica e hidroeletricidade.

A consolidação desses grupos de trabalho reflete a complexidade e a ambição dos projetos atuais, que buscam ir além da simples compra e venda de energia, focando na complementariedade das matrizes e na resiliência regional diante de cenários de escassez hídrica.