Lucro ajustado cresce 151% no 4º trimestre, investimentos chegam a R$ 6,6 bilhões e consumo de energia nas distribuidoras do grupo avança com destaque para Norte e Nordeste
O Grupo Energisa encerrou o quarto trimestre de 2025 com forte expansão dos indicadores operacionais e financeiros, consolidando um ciclo de crescimento sustentado em seus principais segmentos de atuação no setor energético.
O EBITDA ajustado recorrente da companhia avançou 21,7% no quarto trimestre, na comparação com igual período de 2024. No acumulado de 2025, o indicador atingiu R$ 8,2 bilhões, crescimento anual de 9,5%.
A performance reflete, entre outros fatores, ganhos de eficiência operacional, evolução das margens e disciplina na gestão de custos, que resultaram em uma redução de 6,1% nas despesas operacionais (PMSO) no período.
Nos últimos cinco anos, entre 2021 e 2025, o EBITDA ajustado recorrente do grupo registrou crescimento médio anual próximo de 14%, evidenciando a consolidação da estratégia de expansão e diversificação do portfólio energético.
Lucro dispara no trimestre mesmo com juros elevados
Mesmo diante de um ambiente macroeconômico desafiador, marcado por taxa básica de juros em patamar de dois dígitos, o grupo registrou crescimento expressivo do lucro no trimestre.
O lucro líquido ajustado recorrente atingiu R$ 806 milhões no quarto trimestre, alta de 151% na comparação anual. No acumulado de 2025, o lucro ajustado recorrente chegou a R$ 2 bilhões, também com avanço de 9,5% frente a 2024, indicando consistência na geração de resultados mesmo em um cenário econômico mais restritivo.
Paralelamente, a empresa manteve ritmo elevado de investimentos. O CAPEX total alcançou R$ 6,6 bilhões, superando os R$ 6,1 bilhões inicialmente previstos para o ano. Desse total, mais de 88% foram direcionados ao segmento de distribuição de energia elétrica, principal negócio da companhia.
Distribuição de energia segue como principal motor de crescimento
O segmento de distribuição de energia elétrica, responsável pela maior parte das operações do grupo, apresentou desempenho robusto ao longo do trimestre.
O EBITDA ajustado recorrente da área cresceu 20% no quarto trimestre e 9% no acumulado do ano, refletindo melhoria na captura de receitas e maior eficiência operacional. A receita líquida ajustada da distribuição atingiu R$ 6,7 bilhões, crescimento de 4% na comparação anual. O avanço foi impulsionado principalmente por:
- aumento da receita de disponibilidade do sistema elétrico (TUSD);
- crescimento das subvenções tarifárias;
- variações positivas de ativos e passivos setoriais.
Esses fatores compensaram pressões decorrentes de encargos e impostos mais elevados no período.
Consumo de energia cresce e expansão de clientes acelera
O consumo de energia nas nove distribuidoras do Grupo Energisa somou 11.334 GWh no quarto trimestre, crescimento de 2,2% na comparação anual. No acumulado de 2025, o consumo atingiu 43.035 GWh, avanço de 1,4% frente ao ano anterior.
O crescimento foi impulsionado principalmente por:
- expansão das classes residencial e rural;
- ampliação da atividade industrial;
- aumento da renda e expansão imobiliária;
- crescimento da base de clientes nas regiões Norte e Nordeste.
Entre as concessões, os maiores avanços foram registrados em:
- Mato Grosso (+6,2%)
- Paraíba (+5%)
- Tocantins (+3,8%)
O número de consumidores cativos aumentou 2,4%, enquanto o número de consumidores livres avançou 47,8%, refletindo a expansão do mercado livre de energia no Brasil.
Combate às perdas atinge melhor resultado da história
Outro destaque operacional foi o desempenho no combate às perdas de energia. As perdas totais encerraram 2025 em 12,25%, o menor patamar histórico já registrado pelo grupo em um fechamento anual.
O índice ficou 0,07 ponto percentual abaixo do registrado em 2024 e inferior ao limite regulatório de 12,71%, demonstrando eficiência na alocação de capital e na execução das estratégias de redução de perdas.
Transmissão registra crescimento com novos ativos
No segmento de transmissão, a Energisa Transmissão de Energia registrou EBITDA regulatório de R$ 151 milhões no quarto trimestre, crescimento de R$ 23,7 milhões em relação ao mesmo período de 2024.
O desempenho foi impulsionado principalmente por:
- reajuste tarifário da Receita Anual Permitida (RAP) do ciclo 2025/2026;
- entrada em operação de novos ativos de transmissão.
No acumulado do ano, o EBITDA regulatório somou R$ 629,2 milhões, avanço de 17,1%. A empresa também registrou redução de 27% nas despesas operacionais (PMSO) ao longo do ano, reflexo da internalização de atividades de operação e manutenção.
Expansão do gás natural ganha tração
Os negócios de gás natural do grupo também apresentaram evolução relevante em 2025. A rede de distribuição cresceu mais de 7%, alcançando 358 mil clientes em cinco estados, alta superior a 11% em relação a 2024.
Na ES Gás, o EBITDA anual atingiu R$ 219 milhões, crescimento de 17%, enquanto a margem bruta registrou avanço consistente. Desde a privatização da concessionária, em 2023, o grupo já implantou 50% da extensão de rede construída nos 20 anos anteriores, alcançando 658 quilômetros de rede de distribuição.
O volume de gás distribuído pela empresa chegou a 261,3 milhões de m³ no quarto trimestre, crescimento de 30,8%, com destaque para o consumo termoelétrico, que avançou 131,5%.
Já a Norgás, que reúne participações nas distribuidoras Cegás, Algás, Potigás e Copergás, registrou crescimento da margem bruta de 7,2% no ano, impulsionado pela redução dos custos de aquisição do gás.
Biometano e biofertilizantes entram na estratégia energética
Dentro da estratégia de diversificação energética, o grupo também ampliou sua atuação no segmento de biometano e soluções energéticas sustentáveis.
A empresa adquiriu uma nova unidade de tratamento de resíduos no Paraná, com investimento previsto de R$ 100 milhões. A planta deverá entrar em operação até 2028, com capacidade de produção de 28 mil m³ de biometano por dia.
No início de 2026, também está prevista a entrada em operação comercial da usina de biometano da Agric, em Santa Catarina, o primeiro empreendimento do grupo nesse segmento. Outro movimento estratégico foi o lançamento do E-bio Solum, biofertilizante orgânico produzido nas unidades da empresa, integrando soluções energéticas e agronegócio.
(re)energisa amplia presença em comercialização e geração distribuída
A plataforma (re)energisa também apresentou evolução relevante após o reposicionamento estratégico voltado para rentabilidade.
A receita líquida da unidade cresceu 13,4% no quarto trimestre e 29,2% no acumulado de 2025, impulsionada principalmente pela comercialização de energia, que gerou R$ 616 milhões no ano. O EBITDA da plataforma alcançou R$ 109,6 milhões em 2025, avanço expressivo de 217,6%.
No segmento de geração distribuída, a empresa encerrou o ano com:
- 125 usinas solares
- 469 MWp de potência instalada
A unidade também registrou 11 meses consecutivos de crescimento líquido na base de clientes, além de forte expansão comercial, com vendas crescendo 128% no quarto trimestre.



