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Aneel aplica multas superiores a R$ 7,6 milhões por atrasos em PCHs e reforça rigor regulatório

Aneel aplica multas superiores a R$ 7,6 milhões por atrasos em PCHs e reforça rigor regulatório

Decisões atingem projetos da Argentum Energia e da Ipira Energia e sinalizam vigilância da Agência Nacional de Energia Elétrica sobre cronogramas de usinas contratadas em leilões

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) voltou a demonstrar rigor na fiscalização de projetos de geração contratados em leilões regulados. Em despachos publicados no Diário Oficial da União nesta quinta-feira (12), o regulador confirmou sanções que, somadas, ultrapassam R$ 7,6 milhões por atrasos na entrada em operação de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs).

As penalidades atingem empreendimentos das empresas Argentum Energia e Ipira Energia, responsáveis por projetos que descumpriram cronogramas estabelecidos em contratos firmados nos leilões de energia nova.

O movimento reforça o sinal regulatório da agência em um momento de atenção à segurança do suprimento energético, à previsibilidade do planejamento setorial e à necessidade de preservar a modicidade tarifária para os consumidores.

Multa de R$ 6,7 milhões atinge projeto da PCH Clairto Zonta

O caso de maior impacto financeiro envolve a geradora Argentum Energia, penalizada em R$ 6,7 milhões pelo atraso na implantação da PCH Clairto Zonta. A usina, com 15 MW de capacidade instalada, está localizada em Rio Branco do Ivaí, no Paraná, e foi viabilizada no Leilão de Energia Nova A-5 de 2016.

Pelo cronograma original do contrato, o empreendimento deveria ter iniciado a operação comercial ainda em 2018 para garantir o fornecimento de energia contratado a partir de janeiro de 2021. No entanto, o projeto enfrentou atrasos significativos relacionados ao processo de licenciamento ambiental, o que levou a empresa a solicitar à agência reguladora a ampliação do cronograma de implantação.

Licenciamento ambiental e judicialização entram no debate regulatório

O atraso no projeto foi desencadeado por uma disputa jurídica iniciada a partir de uma ação civil pública do Ministério Público do Paraná. O órgão solicitou a realização de novas audiências públicas e a elaboração de um novo Estudo de Impacto Ambiental (EIA), exigências que acabaram paralisando o processo de licenciamento da usina.

Diante do impasse, a Argentum Energia pleiteou junto à Aneel uma extensão de 24 meses no cronograma do empreendimento, alegando fatores externos que estariam fora de seu controle. A diretoria da agência, no entanto, rejeitou o pedido e afastou a tese de excludente de responsabilidade apresentada pela empresa.

Na avaliação do regulador, a estratégia adotada pela companhia durante o processo contribuiu para a manutenção da penalidade. A Aneel apontou que a geradora optou por prolongar a disputa judicial sobre as exigências ambientais, em vez de priorizar soluções técnicas capazes de viabilizar a continuidade do projeto.

Para o regulador, o risco associado ao licenciamento ambiental e às estratégias jurídicas adotadas pelo empreendedor faz parte da atividade empresarial, não podendo ser transferido ao consumidor ou ao sistema elétrico.

Aneel reduz multa aplicada à PCH Pira após reavaliação

Em outra decisão relacionada ao cumprimento de cronogramas de geração, a Aneel revisou parcialmente uma penalidade aplicada à Ipira Energia. O caso envolve a PCH Pira, empreendimento de 24 MW localizado em Santa Catarina e contratado no Leilão de Energia Nova A-6 de 2019.

O projeto descumpriu os marcos de entrada em operação comercial previstos para o final de 2024, o que resultou inicialmente em uma multa de R$ 1,9 milhão, aplicada em novembro de 2025. Após análise do recurso administrativo apresentado pela empresa, a diretoria da Aneel decidiu reduzir o valor da penalidade para R$ 995 mil.

A revisão ocorreu após a retificação do enquadramento jurídico da infração, que passou a considerar cláusulas específicas previstas no edital do leilão nº 4/2019. Embora tenha proporcionado alívio financeiro para a geradora, a decisão manteve o entendimento de que houve descumprimento contratual por atraso na entrada em operação da usina.

Sinal regulatório reforça compromisso com segurança do suprimento

As decisões da Aneel ocorrem em um momento em que o setor elétrico acompanha com atenção a execução dos cronogramas de novos projetos de geração. Usinas contratadas em leilões regulados desempenham papel estratégico no planejamento energético brasileiro, já que sua entrada em operação está diretamente associada ao atendimento da demanda futura.

Ao manter as penalidades e rejeitar teses amplas de excludente de responsabilidade, a agência reforça um sinal importante ao mercado: o cumprimento dos prazos estabelecidos nos contratos de energia continua sendo um elemento central da regulação do setor elétrico.

Para especialistas, o posicionamento do regulador também busca preservar a confiança nos leilões de energia e garantir que eventuais atrasos não resultem em custos adicionais para o consumidor final.