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APROBIO defende avanço para B16 como resposta à volatilidade do petróleo e à dependência de diesel importado

APROBIO defende avanço para B16 como resposta à volatilidade do petróleo e à dependência de diesel importado

Entidade afirma que aumento da mistura obrigatória de biodiesel pode reduzir exposição do Brasil a choques geopolíticos, fortalecer a segurança energética e estabilizar custos logísticos.

A escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio reacendeu discussões sobre a vulnerabilidade dos mercados globais de energia e seus impactos nas economias nacionais. No Brasil, o cenário reforça o debate sobre a dependência de combustíveis fósseis importados e a necessidade de ampliar alternativas domésticas.

Em nota de posicionamento, a Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (APROBIO) defende que o país avance para a mistura obrigatória B16, elevando a participação do biodiesel no diesel comercializado no mercado interno. A entidade sustenta que a medida pode atuar como um mecanismo imediato de mitigação da volatilidade internacional dos preços do petróleo e fortalecer a segurança energética brasileira.

“A APROBIO acompanha com atenção a escalada de tensões no Oriente Médio e reforça um ponto que o Brasil não pode ignorar: quando há instabilidade naquela região, o petróleo reage rápido e isso chega direto ao custo do frete, dos alimentos e da inflação”, destaca Jerônimo Goergen, presidente da Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil

Dependência de diesel importado expõe economia brasileira

Apesar de ser um dos principais produtores de petróleo da América Latina, o Brasil ainda depende de importações relevantes de diesel para atender à demanda interna.

Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis indicam que as importações responderam, em média, por cerca de 26% da oferta total de diesel no país em 2024. Em outubro daquele ano, essa participação chegou a aproximadamente 28%.

Esse nível de dependência expõe o país não apenas à volatilidade dos preços internacionais do petróleo, mas também a riscos cambiais e a eventuais restrições de oferta no mercado global. Nesse contexto, a ampliação da mistura obrigatória de biodiesel é apontada por representantes do setor como uma alternativa imediata para reduzir a necessidade de importação de diesel fóssil.

Mistura obrigatória de biodiesel é vista como instrumento de política energética

Atualmente, o Brasil adota a mistura B15, que estabelece a participação de 15% de biodiesel no diesel comercializado no país. A política faz parte da estratégia nacional de diversificação energética e estímulo à produção doméstica de biocombustíveis.

A avaliação da Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil é de que a evolução gradual dessa mistura pode ampliar a segurança energética e reduzir a exposição do país às oscilações do mercado internacional de combustíveis fósseis.

“Mesmo sendo produtor de petróleo, o Brasil ainda depende de importações relevantes de diesel. Dados da ANP mostram que as importações representaram, em média, 26% da oferta interna total de diesel em 2024, chegando a 28% em outubro daquele ano. Isso expõe o país a riscos de preço, câmbio e abastecimento”, ressalta Jerônimo Goergen.

Proposta de avanço para B16 entra na agenda com o governo

De acordo com a entidade, o setor produtivo apresentou ao Ministério de Minas e Energia uma proposta para viabilizar a adoção da mistura B16 já a partir de março. A iniciativa busca manter o cronograma de expansão da participação do biodiesel na matriz de combustíveis do país, garantindo previsibilidade regulatória e condições para ampliação da produção nacional.

“Por isso, a APROBIO defende que o Brasil cumpra o cronograma de evolução da mistura e avance para o B16, como medida de proteção ao consumidor e de redução da dependência externa. Em agenda oficial com o Ministério de Minas e Energia, a APROBIO apresentou a linha de trabalho do setor para viabilizar a entrada do B16 em março, com foco em qualidade e previsibilidade”, afirma Goergen.

Impactos econômicos e industriais da ampliação da mistura

Além de reduzir a necessidade de importações de diesel fóssil, o aumento da participação do biodiesel na mistura pode gerar efeitos econômicos relevantes.

Entre os impactos apontados pela entidade estão a redução da exposição à volatilidade internacional do petróleo e do dólar, maior estabilidade para o setor logístico e estímulo à utilização da capacidade instalada da indústria nacional de biocombustíveis.

A expansão do mandato também tende a impulsionar a geração de renda e empregos ao longo da cadeia produtiva, que inclui produtores rurais, usinas de biodiesel, transportadores e distribuidores.

Qualidade e fiscalização são apontadas como prioridade

A entidade também ressalta que o avanço da mistura obrigatória deve ocorrer acompanhado do fortalecimento dos mecanismos de controle e fiscalização do combustível comercializado no país.

A proposta envolve aperfeiçoar os processos de monitoramento ao longo de toda a cadeia de suprimento, da produção até a distribuição e revenda, garantindo que o diesel com biodiesel chegue ao consumidor final dentro das especificações técnicas estabelecidas.

“Em resumo: diante do risco geopolítico e da dependência estrutural de diesel importado, ir para o B16 agora é uma decisão de segurança energética e proteção econômica do Brasil, com efeito imediato”, avalia Jerônimo Goergen.