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LRCAP 2026: propostas do MME elevam custos sem resolver desafios de flexibilidade do sistema elétrico

LRCAP 2026: propostas do MME elevam custos sem resolver desafios de flexibilidade do sistema elétrico

ANACE alerta para impacto tarifário e necessidade de soluções estruturais de longo prazo

As propostas apresentadas pelo Ministério de Minas e Energia (MME) para os Leilões de Reserva de Capacidade na forma de potência (LRCAP) 2026 têm gerado alerta entre especialistas do setor elétrico e associações de consumidores. Segundo a Associação Nacional dos Consumidores de Energia (ANACE), os modelos previstos para contratação de usinas térmicas a carvão mineral e óleo combustível devem pressionar tarifas de energia elétrica e os preços no mercado livre, sem endereçar de forma adequada os desafios de flexibilidade do sistema elétrico brasileiro.

“Esse leilão é fundamental, mas, da maneira proposta, vai gerar custos ainda mais elevados para os consumidores sem endereçar a questão da flexibilidade de forma estrutural”, avalia Carlos Faria, diretor-presidente da ANACE. A associação já prepara sua contribuição à consulta pública aberta pelo MME.

Histórico e adiamento do leilão

O LRCAP 2026 estava inicialmente programado para ocorrer este ano, mas o processo foi suspenso devido a disputas judiciais envolvendo grupos de gás natural e biocombustíveis em relação às regras do certame.

Na ocasião, a ANACE elogiou a decisão, mas alertou para a necessidade de cuidado na retomada deste processo.

“Agora, é fundamental não só que a sua reorganização (do leilão), mas que esse processo seja feito de maneira mais cuidadosa, garantindo sua realização ainda neste ano sem os problemas presentes na primeira tentativa”, detalhou a associação.

O atraso provocou o aumento da pressão por soluções emergenciais, como térmicas a carvão e óleo, mas essas alternativas apresentam limitações operativas e ambientais que podem comprometer a eficiência do sistema e elevar os custos para os consumidores.

Carvão mineral e óleo combustível: alternativas caras e pouco flexíveis

As usinas a carvão mineral previstas no leilão possuem longos prazos de entrada e saída de operação, o que reduz significativamente a capacidade de resposta rápida às variações da carga elétrica. Além disso, têm alto custo operacional, baixa eficiência energética e impacto ambiental elevado.

Já as unidades a óleo combustível poderiam oferecer alguma flexibilidade, mas a preços muito elevados, o que aumenta a pressão tarifária para consumidores residenciais e comerciais.

A ANACE destaca que essas soluções emergenciais, embora atendam a demandas imediatas, não resolvem os problemas estruturais de flexibilidade do sistema elétrico, deixando em aberto o desafio de longo prazo para atender picos de consumo e garantir confiabilidade operacional.

Alternativas sustentáveis e eficientes para o setor elétrico

Para reduzir custos e aumentar a flexibilidade do sistema, a ANACE recomenda investir em soluções mais eficientes:

  • Resposta da demanda para ajustar consumo em horários de pico;
  • Hidrelétricas reversíveis, que podem gerar ou armazenar energia conforme a necessidade;
  • Sistemas de armazenamento de energia em baterias e outras tecnologias.

“As alternativas de armazenamento e resposta da demanda apresentam custos significativamente inferiores aos das soluções emergenciais indicadas no edital do leilão, além de oferecerem flexibilidade real ao sistema elétrico”, explica a associação.

Quanto às usinas a gás natural, o foco deve ser em unidades de partida rápida, capazes de suprir diferenças de carga líquida no final do dia, quando a geração solar diminui, garantindo estabilidade e confiabilidade da rede.

Impacto tarifário e perspectivas para o mercado

Se mantidas as propostas do MME, os consumidores cativos e livres devem enfrentar custos mais elevados, sem ganhos efetivos em flexibilidade e eficiência energética.

A ANACE reforça que é preciso priorizar soluções estruturais, sustentáveis e economicamente viáveis, capazes de atender à demanda crescente e reduzir a dependência de fontes caras e poluentes.

O debate sobre o LRCAP 2026 destaca a necessidade de equilíbrio entre atendimento à demanda elétrica, redução de custos e sustentabilidade ambiental, considerando o papel estratégico do leilão na expansão da geração de potência no Brasil.