Acordo estratégico garante o controle total da IE Madeira para a ISA Energia, enquanto a Eletrobras (Axia Energia) assume 100% da IE Garanhuns; movimento simplifica governança e otimiza portfólios de transmissão.
A ISA Energia Brasil (B3: ISAE3, ISAE4) e a Eletrobras, atuando por meio da Axia Energia, formalizaram nesta quinta-feira (19/03) a assinatura do Contrato de Compra e Venda de Ações (CCVA) para o descruzamento de suas participações societárias nas transmissoras Interligação Elétrica do Madeira S.A. (IE Madeira) e Interligação Elétrica Garanhuns S.A. (IE Garanhuns).
A operação, que envolve uma compensação financeira de R$ 1,174 bilhão paga pela ISA à Eletrobras, marca um passo decisivo na estratégia de ambas as companhias para a simplificação de estruturas e foco em ativos de controle integral.
O fechamento da transação está condicionado às aprovações regulatórias da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) e da anuência de credores específicos.
Foco na Alta Tensão: ISA assume 100% da IE Madeira
Com a conclusão do acordo, a ISA Energia Brasil passará a consolidar integralmente a IE Madeira, um ativo colossal que atravessa cinco estados (RO, MT, GO, MG e SP). Trata-se de um sistema de 2.385 km de linhas de transmissão em corrente contínua, essencial para o escoamento da energia da Região Norte para o Sudeste, com concessão vigente até 2039.
A robustez financeira do ativo é um dos pilares da estratégia da ISA para a criação de valor sustentável. Conforme detalhado no fato relevante da companhia: “A IE Madeira possui Receita Anual Permitida (RAP) líquida de PIS e COFINS de R$ 760,7 milhões no ciclo 2025/2026 e encerrou 2025 com EBITDA Regulatório de R$ 660,1 milhões e dívida líquida de R$ 588,2 milhões.”
Axia Energia consolida posição estratégica no Nordeste
No outro lado da mesa, a Eletrobras (Axia Energia) assume o controle total da IE Garanhuns, adquirindo os 51% que pertenciam à ISA. O empreendimento é vital para o Sistema Interligado Nacional (SIN) no Nordeste, operando 633 km de linhas de 500 kV, incluindo o trecho estratégico Luiz Gonzaga–Garanhuns–Pau Ferro. Para a Axia, o movimento representa o desinvestimento em participações minoritárias e o fortalecimento da gestão sobre ativos onde detém a operação.
Ao analisar o impacto dessa reorganização de portfólio, o vice-presidente de Estratégia e Desenvolvimento de Negócios da Axia Energia, Elio Wolff, destacou os ganhos de eficiência: “Esse movimento é um passo estratégico na execução de nossa visão de longo prazo. O descruzamento de ativos e a simplificação societária aumentam o foco, reduzem a complexidade e melhoram a governança dos nossos negócios. Com isso, destravamos valor, alocamos capital de forma mais eficiente e fortalecemos nossa capacidade de execução estratégica.”
Conversão de ações e estrutura societária
Além do intercâmbio de ativos, a operação trouxe um ajuste na estrutura de capital da ISA Energia Brasil. A Axia Energia obteve aprovação para converter 19.766.499 ações ordinárias de sua titularidade em ações preferenciais (1 para 1). O volume equivale a 7,7% das ações ordinárias da ISA, conferindo maior flexibilidade à Eletrobras em sua posição como acionista da empresa.
A alienação da IE Garanhuns pela ISA Energia também traz números importantes para o mercado. O ativo encerrou o último ano com indicadores saudáveis que agora passam a compor o balanço integral da Axia: “A IE Garanhuns possui RAP líquida de PIS e COFINS de R$ 157,9 milhões no ciclo 2025/2026 e encerrou 2025 com EBITDA Regulatório de R$ 134,2 milhões e dívida líquida de R$ 42,6 milhões.”
A expectativa é que a simplificação dessas parcerias reduza custos administrativos e operacionais para ambas as empresas, permitindo que cada uma foque em suas regiões de maior dominância e competência técnica.



