Projeto superior a R$100 milhões prevê subestação GIS e transformadores de alta potência para viabilizar infraestrutura energética de data centers voltados a IA e computação em nuvem no Brasil.
A TERRANOVA, plataforma de data centers hyperscale criada pelo grupo global Actis, selecionou a Siemens Energy para desenvolver a infraestrutura elétrica que sustentará seus futuros campi de data centers no Brasil. O projeto será implantado em Campinas, no estado de São Paulo, e envolve um contrato superior a R$100 milhões para fornecimento de equipamentos e soluções energéticas de alta capacidade.
A assinatura ocorreu paralelamente à confirmação da aprovação de acesso à rede elétrica pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico, etapa essencial para assegurar as condições de conexão ao sistema elétrico brasileiro.
A infraestrutura energética é considerada elemento crítico para projetos de data centers hyperscale, que exigem fornecimento contínuo e confiável de energia para suportar cargas intensivas de processamento associadas a inteligência artificial, computação em nuvem e aplicações digitais de alta densidade.
Subestação GIS terá capacidade equivalente ao consumo de uma grande cidade
O escopo do contrato inclui a construção de uma subestação com isolamento a gás (GIS – Gas-Insulated Switchgear) com capacidade de 300 MW. Esse volume de potência equivale ao consumo energético de uma cidade com aproximadamente 1,3 milhão de domicílios, evidenciando a escala industrial necessária para suportar operações de data centers de grande porte.
O projeto também contempla a instalação de dois transformadores de potência de 150 MVA cada, com tensão de 440/34,5 kV, equipamentos que serão fabricados localmente pela Siemens Energy em sua planta industrial localizada em Jundiaí, também no estado de São Paulo.
A tecnologia GIS foi escolhida por oferecer maior compactação e segurança operacional em comparação com subestações convencionais. Nesse modelo, os componentes elétricos ficam encapsulados em um ambiente selado preenchido com gás isolante, utilizado exclusivamente para fins de isolamento elétrico.
A entrega dos equipamentos está prevista para 2027, com a conclusão da instalação estimada para o segundo semestre do mesmo ano.
Energia renovável deve abastecer os campi de data centers
Embora os contratos definitivos de fornecimento de energia ainda não tenham sido firmados, a TERRANOVA prevê que seus campi de data centers no Brasil sejam abastecidos predominantemente por fontes renováveis.
A estratégia se apoia na elevada participação de energia limpa na matriz elétrica brasileira, fator que tem atraído investimentos internacionais em infraestrutura digital e projetos de computação em larga escala.
A disponibilidade de energia renovável, aliada à estabilidade do Sistema Interligado Nacional, tem sido apontada por analistas como um diferencial competitivo do país na disputa global por investimentos em data centers.
Gargalos de rede ainda desafiam expansão do setor
A expansão da infraestrutura energética é considerada um fator determinante para viabilizar o crescimento do mercado de data centers no Brasil, especialmente diante da explosão da demanda por processamento associada à inteligência artificial.
A vice-presidente sênior da Siemens Energy para a América Latina, Marcela Souza, avalia que o país reúne condições estruturais relevantes para se consolidar como um hub internacional desse tipo de infraestrutura digital.
“O Brasil tem o potencial de se tornar um hub global de data centers, mas hoje o principal gargalo está na infraestrutura de rede necessária para suportar a alta densidade de demanda impulsionada pela inteligência artificial. As soluções que estamos entregando estão mudando essa realidade, ao ampliar a capacidade do sistema de forma segura e eficiente, viabilizando uma operação contínua e estável mesmo sob cargas extremas de IA e computação em nuvem”.
Parcerias tecnológicas reforçam estratégia de expansão regional
Para a TERRANOVA, o desenvolvimento da infraestrutura energética representa uma etapa central na estratégia de crescimento da companhia na América Latina. O CEO da empresa, José Eduardo Quintella, ressalta que o projeto segue uma abordagem disciplinada voltada à construção de uma base operacional robusta e escalável.
“Cada etapa do projeto é orientada pela necessidade de criar infraestrutura confiável, eficiente e preparada para crescer com segurança, sempre focada nas necessidades mais atuais dos nossos clientes. Este é um marco importante para nós – ao estabelecermos parcerias com players relevantes e altamente confiáveis na cadeia de suprimentos global, trazemos maior robustez às nossas operações”.
Data centers e energia: um mercado em rápida expansão
A implantação da nova subestação integra a estratégia da TERRANOVA de construir uma base energética sólida para sustentar operações de nuvem, inteligência artificial e serviços digitais de alta densidade.
Além do Brasil, a empresa já anunciou investimentos em novos campi de data centers no México e no Chile, com o objetivo de atingir uma capacidade potencial de até 1 gigawatt na América Latina nos próximos anos.
No Brasil, o movimento ocorre em um momento de forte crescimento do setor de data centers, impulsionado por fatores como disponibilidade de energia renovável, expansão da economia digital e aumento da demanda por serviços de computação em nuvem e inteligência artificial.



