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Infraestrutura elétrica pode determinar se Brasil terá 26 GW ou 45 GW em data centers até 2050, aponta estudo

Infraestrutura elétrica pode determinar se Brasil terá 26 GW ou 45 GW em data centers até 2050, aponta estudo

Levantamento da Schneider Electric e do MDIC indica que expansão da geração renovável e da rede elétrica será decisiva para consolidar o país como hub de infraestrutura digital e inteligência artificial

A expansão da infraestrutura elétrica poderá definir o tamanho da capacidade instalada de data centers no Brasil nas próximas décadas. Um estudo desenvolvido pelo Instituto de Pesquisa em Sustentabilidade (SRI) da Schneider Electric, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), indica que o país pode alcançar entre 26 gigawatts (GW) e 45 GW de capacidade instalada em data centers até 2050, dependendo do ritmo de crescimento da geração renovável e da expansão da infraestrutura elétrica.

O levantamento, intitulado “Novel Insights on Brazil’s Pathway to Industrial Growth and Decarbonization: Demand-Driven Scenarios, Policies, and Collaborative Strategies”, foi apresentado durante a COP30, realizada em Belém, no estado do Pará.

A análise utiliza uma modelagem de longo prazo para avaliar como diferentes trajetórias de expansão energética podem influenciar o desenvolvimento da infraestrutura digital brasileira. O estudo considera dois cenários principais: um de restrição energética e outro de aceleração da transição energética baseada em fontes renováveis.

Cenários projetam capacidade entre 26 GW e 45 GW

No cenário denominado “Terra Firme”, caracterizado por limitações na expansão da geração e da transmissão de energia, a capacidade instalada de data centers no país ficaria limitada a cerca de 26 GW até 2050.

Já no cenário “Salto Verde”, que pressupõe crescimento acelerado da infraestrutura elétrica e maior disponibilidade de energia renovável, a capacidade poderia atingir 45 GW, praticamente o dobro do cenário mais conservador.

A diferença entre os dois panoramas evidencia o peso da infraestrutura energética no desenvolvimento da economia digital. Segundo o estudo, a disponibilidade de eletricidade limpa, competitiva e previsível será um dos fatores determinantes para atrair investimentos em infraestrutura digital de grande escala.

As projeções indicam ainda que o consumo de eletricidade associado aos data centers pode alcançar entre 160 terawatts-hora (TWh) e 280 TWh até 2040, o equivalente a aproximadamente 10% da demanda total de energia projetada para o país.

Data centers ganham papel estratégico com avanço da inteligência artificial

O estudo destaca que os data centers se tornaram ativos estratégicos na economia global, especialmente diante da expansão da inteligência artificial, da computação em nuvem e da digitalização de processos industriais. O aumento da densidade computacional necessário para aplicações de IA exige infraestruturas elétricas robustas, além de sistemas eficientes de energia e refrigeração.

“O fortalecimento da infraestrutura digital brasileira passa por planejamento de longo prazo, segurança jurídica e integração entre diferentes esferas de governo. Nosso compromisso é criar um ambiente regulatório estável e previsível, capaz de apoiar investimentos estruturantes e ampliar a inserção do Brasil nas cadeias globais de valor associadas à economia digital”, afirma Julia Cruz, secretária de Economia Verde, Descarbonização e Bioindústria do MDIC.

Energia como fator estrutural de competitividade

A análise também indica que a infraestrutura elétrica deixou de ser apenas um tema restrito ao setor energético e passou a ocupar papel central na competitividade econômica dos países.

“O estudo mostra que a infraestrutura elétrica deixou de ser apenas um tema setorial para se tornar um fator estruturante de competitividade”, diz Roberto Rossi, presidente da Schneider Electric para o Brasil. “Países que considerarem este ponto estarão melhor posicionados para sustentar o avanço da digitalização e da indústria nas próximas décadas. O Brasil reúne atributos relevantes para ocupar esse espaço, e as decisões tomadas agora serão determinantes para transformar esse potencial em protagonismo.”

Competição por energia pode surgir em cenários de restrição

O relatório também aponta que, em um cenário de expansão energética limitada, pode surgir uma competição por eletricidade entre diferentes setores da economia. Entre os segmentos potencialmente afetados estão a indústria, a mobilidade elétrica, edifícios inteligentes e a própria infraestrutura digital. Esse ambiente poderia elevar custos de energia e limitar o ritmo de novos investimentos em data centers.

Por outro lado, uma expansão coordenada entre geração renovável, transmissão e planejamento energético ampliaria significativamente o potencial do Brasil para atrair projetos de grande escala voltados à economia digital e à inteligência artificial.

Segundo o estudo, decisões tomadas ao longo da próxima década, envolvendo regulação, expansão da rede elétrica e integração entre política industrial e planejamento energético, terão impacto direto na posição do país na infraestrutura digital global até meados do século.

Tecnologia energética e digitalização das redes

No centro desse ecossistema tecnológico, a Schneider Electric atua com soluções integradas voltadas ao fornecimento de energia, refrigeração e gestão digital para data centers de alta performance.

Em 2023, a companhia participou da implementação de 7,5 GW em novos projetos de data centers em 35 países e mantém parcerias tecnológicas com empresas como a NVIDIA no desenvolvimento de arquiteturas voltadas a aplicações de inteligência artificial de alta densidade computacional.

No Brasil, onde a empresa atua há quase oito décadas, suas soluções também são utilizadas na digitalização de redes elétricas operadas por distribuidoras que atendem cerca de 100 milhões de consumidores, base considerada estratégica para sustentar a expansão da infraestrutura digital no país.