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Crise em Ormuz: EUA acionam medidas de emergência com petróleo beirando US$ 100

Crise em Ormuz: EUA acionam medidas de emergência com petróleo beirando US$ 100

Secretário de Energia, Chris Wright, classifica como “improvável” a escalada do barril para US$ 200, enquanto Casa Branca estuda suspensão da Lei Jones para garantir suprimento interno.

O mercado global de energia vive um dia de extrema volatilidade e tensão geopolítica. Nesta quinta-feira (12), o barril de petróleo tipo Brent registrou alta de 8,48%, sendo cotado a US$ 99,78, após romper a barreira psicológica dos US$ 100 durante a madrugada. O estopim para a disparada é o fechamento sem precedentes do Estreito de Ormuz, ponto nevrálgico por onde circula cerca de 20% do consumo mundial de petróleo, em decorrência do agravamento do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã.

O cenário de guerra ganhou contornos dramáticos com o incêndio de dois petroleiros em um porto iraquiano, atingidos por embarcações carregadas de explosivos. Com dezenas de navios encalhados e a navegação interrompida, o governo norte-americano tenta equilibrar o discurso entre a prontidão militar e a estabilidade econômica.

O teto dos preços e a retórica de Teerã

A possibilidade de o barril atingir a marca histórica de US$ 200, patamar jamais visto, superando o recorde de US$ 147 estabelecido em 2008, tornou-se o centro das atenções. Questionado sobre essa projeção, que vem sendo alimentada por autoridades iranianas como forma de pressão diplomática, o Secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, manteve uma postura de cautela analítica:

“Considero esse patamar improvável no momento, contudo, nossa prioridade absoluta agora é a condução da operação militar e a resolução definitiva desse impasse logístico.”

Apesar do uso do termo “improvável”, analistas de mercado interpretam a fala de Wright como um reconhecimento implícito de que picos de preços são possíveis no curto prazo, especialmente diante da postura do novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, que defende a manutenção do bloqueio ao estreito. A ameaça de um choque de oferta foi reforçada pelo porta-voz do comando militar de Khatam al-Anbiya, Ebrahim Zolfaqari, que alertou:

“Preparem-se para o barril de petróleo chegar a US$ 200, porque o preço do petróleo depende da segurança regional, que vocês desestabilizaram.”

Resiliência e medidas de emergência em Washington

Para mitigar os efeitos da escassez e reduzir os custos de logística interna, a Casa Branca confirmou que o governo Donald Trump estuda a suspensão temporária da Lei Jones (Jones Act). A medida permitiria que navios de bandeira estrangeira transportassem combustíveis e insumos agrícolas entre portos norte-americanos, uma manobra regulatória rara usada apenas em situações de crise severa para acelerar entregas e reduzir o frete.

O foco da administração parece estar na gestão de danos de curto prazo para evitar um contágio inflacionário prolongado. Ao projetar o horizonte de normalização do fornecimento, Chris Wright pontuou a visão estratégica do departamento:

“Estamos em meio a uma significativa interrupção no curto prazo para garantir a segurança do fornecimento de energia no longo prazo. Estamos focados em soluções pragmáticas… para superar essas poucas semanas de escassez de energia.”

A eficácia dessas “soluções pragmáticas” dependerá, contudo, da duração do impasse no Estreito de Ormuz. Enquanto o tráfego permanecer interrompido, o setor elétrico e industrial global deve se preparar para um período de custos elevados de insumos e pressão constante sobre as margens operacionais.