Acordo com o Serviço Geológico do Canadá e novos levantamentos aerogeofísicos em Goiás reforçam estratégia brasileira para atrair investimentos e apoiar a transição energética global
O Brasil intensificou sua estratégia de posicionamento no mercado global de minerais estratégicos durante o PDAC 2026, considerado o maior evento da indústria de mineração do mundo. Realizado entre os dias 1º e 4 de março em Toronto, o encontro reuniu governos, investidores, serviços geológicos e empresas do setor em torno de uma agenda cada vez mais influenciada pela transição energética e pela crescente demanda por minerais críticos.
A participação brasileira foi liderada pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB), que encerrou o evento com uma série de acordos internacionais e iniciativas técnicas voltadas à ampliação do conhecimento geológico do território nacional. A estratégia busca reduzir riscos exploratórios, aumentar a transparência de dados geocientíficos e fortalecer a atratividade do país para investimentos em mineração, especialmente em minerais essenciais para baterias, eletrificação e infraestrutura de energia limpa.
Cooperação científica com o Canadá amplia intercâmbio tecnológico
Entre os principais resultados da agenda institucional está a formalização de um acordo de cooperação científica com o Geological Survey of Canada (GSC), órgão responsável por pesquisas geológicas e pelo mapeamento de recursos minerais no Canadá.
A parceria estabelece bases para o intercâmbio de tecnologias de mapeamento geológico e metodologias de identificação de depósitos minerais estratégicos, ampliando o compartilhamento de conhecimento técnico entre as duas instituições. Esse tipo de cooperação é considerado crucial em um cenário de crescente competição global por matérias-primas fundamentais para a indústria de baterias, veículos elétricos e sistemas de armazenamento de energia.
Ao avaliar os resultados da participação brasileira no evento, o diretor-presidente do SGB, Vilmar Medeiros Simões, ressaltou a relevância das articulações internacionais realizadas durante o encontro. “Tivemos a oportunidade de consolidar diversas parcerias com agências co-irmãs a exemplo do Serviço Geológico do Canadá (GSC) e fortalecer outras diversas parcerias que já tínhamos firmado.”
Diplomacia das geociências amplia rede global de parcerias
A agenda do SGB no PDAC incluiu uma série de reuniões bilaterais com instituições de referência no campo das geociências e da pesquisa mineral.
Entre elas estão o Bureau de Recherches Géologiques et Minières (BRGM), serviço geológico da França, o British Geological Survey (BGS), do Reino Unido, e a Korea Mine Rehabilitation and Mineral Resources Corporation (KOMIR), vinculada à Coreia do Sul.
Essas articulações fazem parte de uma estratégia mais ampla de diplomacia científica, na qual o compartilhamento de dados geológicos e metodologias de pesquisa contribui para ampliar o conhecimento sobre o potencial mineral de diferentes regiões do mundo.
Um dos momentos de destaque do evento ocorreu durante a apresentação de estudos realizados pela província de Colúmbia Britânica, no Canadá. O trabalho utilizou o Índice de Conhecimento Geocientífico (IGC), metodologia desenvolvida pelo Serviço Geológico do Brasil para medir o nível de conhecimento geológico de grandes áreas e orientar políticas de exploração mineral.
Levantamentos aerogeofísicos em Goiás reduzem risco exploratório
Além das articulações diplomáticas e científicas, a participação brasileira no evento resultou em iniciativas concretas para ampliar a base de dados geológicos do país. O SGB firmou contrato com a Lasa Prospecções, empresa integrante do grupo XCalibur, para a execução da Fase I do Levantamento Aerogeofísico Leste de Goiás.
Levantamentos aerogeofísicos são considerados ferramentas fundamentais para o mapeamento geológico moderno. A tecnologia utiliza sensores instalados em aeronaves para identificar características do subsolo e detectar possíveis estruturas minerais, fornecendo dados de alta precisão que orientam decisões de investimento em projetos de exploração.
Esse tipo de iniciativa é amplamente reconhecido pelo mercado mineral como um dos instrumentos mais eficazes para reduzir riscos exploratórios e aumentar a competitividade de regiões com potencial geológico relevante.
Minerais críticos e transição energética no centro da estratégia
A crescente demanda global por minerais como lítio, níquel, cobre e terras raras tem reposicionado o setor mineral no centro das discussões sobre segurança energética e descarbonização da economia. Esses recursos são essenciais para tecnologias associadas à transição energética, incluindo baterias de veículos elétricos, turbinas eólicas, redes elétricas inteligentes e sistemas de armazenamento de energia.
Nesse contexto, a disponibilidade de dados geológicos confiáveis e acessíveis torna-se um elemento estratégico para a atração de investimentos e para a construção de cadeias produtivas ligadas à nova economia de baixo carbono.
O diretor-presidente do SGB destacou o papel da transparência e da produção de conhecimento técnico como instrumentos centrais dessa estratégia. “A participação do SGB com disponibilização de dados técnicos para sociedade e para o mercado é fundamental para atrair investimentos para nosso país, especialmente diante da transição energética pela qual passa o mundo e diante da disponibilidade de minerais críticos que temos em nosso país.”
Integração com o setor mineral brasileiro
A atuação brasileira no PDAC também envolveu articulações com entidades representativas da indústria mineral nacional, como a Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa Mineral (ADIMB) e o Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM).
A integração entre instituições públicas, setor privado e centros de pesquisa busca fortalecer o ambiente institucional brasileiro e consolidar o país como um dos principais destinos globais para investimentos em mineração.
Com uma das maiores bases geológicas do planeta e crescente demanda internacional por minerais estratégicos, o Brasil tenta ampliar sua participação nas cadeias globais de suprimento que sustentam a transição energética e a eletrificação da economia nas próximas décadas.



