Por Ricardo Montanher, Diretor Comercial B2B da Arlequim Technologies
O setor de óleo e gás no Brasil vive um momento decisivo. As pressões por eficiência operacional, segurança e sustentabilidade, somadas à necessidade de inovação constante, estão redefinindo como as empresas investem e gerenciam infraestruturas de tecnologia. Nesse contexto, modelos como Desktop como serviço (DaaS) e Estações de Trabalho como serviço (WaaS) começam a se consolidar dentro da estratégia de transformação digital ponta a ponta no setor empresarial.
O desafio da infraestrutura tecnológica no setor de óleo e gás
Do pré-sal a campos terrestres remotos, a indústria de óleo e gás opera em cenários de alta complexidade logística e exigências críticas de desempenho. Garantir que equipes onshore e offshore tenham acesso a dispositivos e estações de trabalho atualizadas, seguras e confiáveis é um desafio que envolve custos elevados de aquisição, logística e manutenção.
O modelo tradicional, que envolve a compra de equipamentos (CAPEX) na adoção ou evolução da tecnologia, demanda investimentos robustos iniciais, longos ciclos de atualização, além de manutenção e transporte. Em um setor no qual o tempo de resposta e a alta disponibilidade são vitais, a dependência desse formato pode gerar grandes gargalos operacionais.
O que muda com DaaS e WaaS
Ao migrar para modelos “as a service”, empresas deixam de adquirir dispositivos (hardwares) como ativos fixos para contratá-los como serviço, pagando mensalmente apenas pelo que utilizam. Essa abordagem transforma a infraestrutura de TI em um recurso flexível e escalável, alinhado às necessidades reais do negócio.
No caso do óleo e gás, os benefícios são claros:
- Agilidade na implantação: máquinas virtuais com softwares específicos e de alto poder de processamento podem ser acessados rapidamente
de equipamentos existentes e básicos disponíveis nas bases remotas ou plataformas; - Atualização contínua: tecnologia de ponta sempre disponível, sem obsolescência;
- Manutenção e suporte inclusos: resolução de falhas de forma proativa e apoio por equipes próprias;
- Segurança avançada: proteção de dados sensíveis, criptografia completa e avançada, conformidade com regulações do setor e atualizações constantes.
Aplicações práticas no dia a dia
Workstations de alta performance são essenciais para tarefas como processamento de dados sísmicos, modelagem 3D de reservatórios, engenharia de equipamentos e simulações complexas. Com este tipo de serviço, esses recursos podem ser acessados de qualquer lugar e dispositivo, sem comprometer desempenho ou segurança, mesmo em conexões remotas ou por satélite.
O DaaS, por sua vez, garante que equipes administrativas, de campo e de suporte, operem com dispositivos adequados à sua função, integrados aos sistemas corporativos e preparados para colaborações em tempo real – fator crítico em operações distribuídas.
Eficiência, ESG e o ciclo de vida da tecnologia
Além dos ganhos operacionais, há um impacto positivo na agenda ESG. Com modelos de estações de trabalho remotas, o descarte de hardwares é reduzido, o consumo energético otimizado e a vida útil dos equipamentos é estendida graças a práticas de manutenção e ao menor desgaste do chamado ‘end point’, equipamento usado pelo usuário final, ‘na ponta’, para acessar as máquina virtuais, DaaS ou WaaS. Essa abordagem não só reduz o impacto ambiental, mas contribui para um posicionamento das empresas que a adotam como ambientalmente sustentáveis.
Uma mudança que veio para ficar
O avanço do DaaS e do WaaS no Brasil acompanha tendências globais, mas com particular relevância para setores críticos como óleo e gás. Empresas que adotam esse formato ganham flexibilidade para crescer ou redimensionar operações rapidamente, reduzem riscos de obsolescência e liberam capital para investir no core business.
A transformação digital não é mais opcional, é um fator competitivo. E no setor de óleo e gás, no qual cada segundo e cada decisão importam, ter a infraestrutura certa, no momento certo e no formato certo, pode determinar o sucesso das próximas décadas.


