Iniciativa utiliza combustível renovável fornecido pela Ultragaz e pode alcançar distribuição de até 46 mil m³/dia, fortalecendo a estratégia de transição energética da companhia
A adoção de combustíveis renováveis começa a ganhar escala em processos industriais intensivos em energia no Brasil. Em mais um movimento voltado à redução das emissões de carbono e à diversificação da matriz energética, a Braskem iniciou a utilização de biometano como substituto parcial do gás natural em sua planta Q2 no Polo Petroquímico de Triunfo, no Rio Grande do Sul.
O combustível renovável é fornecido pela Ultragaz e distribuído a partir do aterro sanitário localizado no município de Minas do Leão, também no Rio Grande do Sul. A operação tem potencial de distribuição de até 46 mil metros cúbicos de biometano por dia, representando um passo relevante para a substituição gradual de fontes fósseis em processos industriais.
A iniciativa reforça a estratégia de transição energética da petroquímica, que busca ampliar o uso de fontes de baixo carbono em suas operações industriais, ao mesmo tempo em que mantém a competitividade energética de suas unidades produtivas.
Biometano como alternativa renovável ao gás natural
O biometano utilizado no projeto é produzido a partir da purificação do biogás gerado pela decomposição de resíduos orgânicos em aterros sanitários. Após o processo de tratamento, o combustível apresenta características técnicas equivalentes às do gás natural, permitindo sua utilização em processos industriais sem a necessidade de adaptações estruturais.
Dentro da estratégia energética da companhia, o combustível renovável surge como uma solução relevante para a descarbonização térmica de processos industriais, um dos desafios mais complexos na jornada de redução de emissões da indústria química.
“O uso do biometano é estratégico por se tratar de uma fonte térmica renovável que oferece as mesmas especificações técnicas do gás natural, sem a necessidade de ajustes nos ativos industriais.”, afirma Gustavo Checcucci, diretor de Energia e Descarbonização da Braskem.
A substituição parcial do gás natural por biometano permite reduzir emissões de dióxido de carbono associadas ao consumo energético da planta, ao mesmo tempo em que amplia a segurança de suprimento e diversifica a matriz energética utilizada na operação.
Em complemento, Checcucci ressalta que a iniciativa também reforça três pilares centrais da estratégia energética da companhia. “É a combinação de descarbonização, competitividade e diversificação da matriz energética. Tais frentes reforçam a nossa estratégia de ampliar o uso de fontes de baixo carbono nas operações industriais da Braskem”.
Economia circular e logística energética
A solução logística para viabilizar o fornecimento contínuo de biometano ao complexo petroquímico foi estruturada pela Ultragaz, que também enxerga o projeto como um exemplo prático de integração entre gestão de resíduos e descarbonização industrial.
A cadeia energética começa no aterro sanitário de Minas do Leão, onde o biogás proveniente da decomposição de resíduos urbanos é captado, tratado e convertido em biometano. O combustível é então distribuído para consumo industrial, criando um ciclo energético que reaproveita resíduos e reduz emissões.
“Ao levarmos o biometano do aterro de Minas do Leão diretamente para o processo industrial da Braskem, fechamos um ciclo virtuoso de economia circular. Este projeto reflete a visão da Ultragaz de liderar a descarbonização da indústria nacional através da inovação: entregamos não apenas uma molécula renovável, mas uma solução logística completa e sustentável que reduz as emissões desde a fonte até o consumo final”, comenta Guilherme Darezzo, vice-presidente de operações da companhia.
Estratégia energética de longo prazo
A adoção do biometano integra o Programa de Descarbonização da Braskem, que estabelece metas de aumento da participação de energia elétrica renovável e combustíveis de baixo carbono na matriz energética da companhia até 2030.
Dentro desse plano, a empresa tem ampliado o uso de soluções energéticas diversificadas em diferentes unidades industriais no Brasil.
Entre as iniciativas recentes está a migração para o mercado livre de gás natural em plantas industriais localizadas no ABC paulista, na Bahia e no Rio Grande do Sul, ampliando a autonomia da companhia na contratação de suprimento energético. Além disso, a petroquímica tem avançado em projetos de autoprodução de energia renovável, com participação societária em parques eólicos e solares.
Outro exemplo é o Projeto Vesta, que promoveu uma reconfiguração do sistema termelétrico do complexo industrial do ABC paulista. A iniciativa incluiu a substituição de turbinas a vapor por motores elétricos de alta velocidade e a implantação de uma planta de cogeração movida a gás residual rico em hidrogênio.
No portfólio de transição energética da companhia também se destaca um projeto de biomassa em Alagoas, que envolveu a eletrificação de grande porte da planta e a instalação de novas caldeiras alimentadas com biomassa de eucalipto da região.
Potencial de replicação industrial
A experiência da planta de Triunfo é vista internamente como um projeto piloto que poderá orientar a expansão do uso de biometano em outras unidades da companhia no Brasil.
Com a crescente disponibilidade de biogás proveniente de aterros sanitários, resíduos agrícolas e efluentes industriais, especialistas do setor energético apontam que o biometano pode desempenhar papel relevante na descarbonização da indústria pesada, especialmente em processos térmicos onde a eletrificação ainda enfrenta desafios técnicos ou econômicos.
Nesse contexto, iniciativas como a da Braskem reforçam uma tendência crescente de integração entre economia circular, mercado de gás e transição energética, ampliando as alternativas de descarbonização para segmentos industriais intensivos em energia.


