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BYD rebate Anfavea, defende modelo SKD e afirma que Brasil suporta frota 100% elétrica

BYD rebate Anfavea, defende modelo SKD e afirma que Brasil suporta frota 100% elétrica

Executivo diz que gargalo da eletrificação está na distribuição de energia, não na geração, e detalha investimento de R$ 5,5 bilhões em Camaçari até 2027

A BYD intensificou o debate sobre industrialização e eletrificação no Brasil ao rebater críticas da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) ao modelo de montagem adotado pela companhia no país. Em entrevista ao programa É Negócio, da CNN Brasil, o vice-presidente sênior da BYD no Brasil, Alexandre Baldy, defendeu o regime SKD (semi-knocked down) como etapa natural de transição industrial e afirmou que o sistema elétrico brasileiro tem capacidade para sustentar uma frota totalmente eletrificada.

A discussão ocorre em um momento de rápida expansão da mobilidade elétrica no país, com aumento da venda de veículos híbridos e 100% elétricos, reconfiguração de preços e pressão por maior conteúdo local na cadeia automotiva.

SKD como etapa de transição industrial

A adoção do regime SKD, no qual o veículo chega parcialmente desmontado para montagem local, foi alvo de críticas de entidades do setor automotivo. Baldy classificou o modelo como prática consolidada na indústria global.

“Nunca existiu montadora que começou fabricando 100% localmente”, afirmou Baldy ao jornalista Carlos Sambrana.

O executivo destacou que a BYD está em processo de qualificação de fornecedores nacionais para ampliar gradualmente o índice de conteúdo local, reforçando que a estratégia prevê evolução das etapas produtivas ao longo do tempo.

A companhia anunciou investimento de R$ 5,5 bilhões até 2027 para consolidar sua unidade industrial em Camaçari (BA). O plano prevê implementação de estamparia, solda e pintura, ampliando a verticalização produtiva e reduzindo a dependência de componentes importados.

Crescimento acelerado e mudança de percepção

A trajetória da BYD no mercado brasileiro tem sido marcada por expansão acelerada. A empresa saltou de 260 unidades vendidas em 2022 para 18 mil em 2023, alcançando 77 mil veículos no ano seguinte.

“No início, imaginaram que seríamos uma marca de nicho. Quando escalamos, perceberam que não viemos para isso”, destacou Baldy.

O crescimento alterou o posicionamento competitivo no segmento de veículos elétricos e híbridos, pressionando preços e ampliando o acesso do consumidor à mobilidade eletrificada. Baldy citou o impacto do modelo Dolphin, lançado na faixa de R$ 150 mil, como fator que teria provocado readequação de estratégias comerciais de concorrentes que operavam em patamares próximos a R$ 250 mil.

Eletrificação e capacidade do sistema elétrico

No debate energético, Baldy separou claramente geração e distribuição de energia elétrica. Com capacidade instalada superior a 230 GW e consumo médio entre 95 e 97 GW médios, o executivo sustenta que o Brasil possui excedente teórico para abastecer toda a frota nacional.

“Energia existe. O desafio está na distribuição”, pontuou, ressaltando a necessidade de investimentos na infraestrutura de rede para que a eletricidade chegue com eficiência ao consumidor final.

A avaliação dialoga com discussões recorrentes no setor elétrico sobre modernização das redes de distribuição, reforço de subestações, digitalização e expansão da infraestrutura para suportar novos vetores de carga, como veículos elétricos e sistemas de armazenamento.

Para especialistas do setor, a ampliação da frota elétrica exigirá planejamento coordenado entre distribuidoras, regulador e agentes de mercado, especialmente em áreas com maior densidade de recarga.

Armazenamento de energia e diversificação

Além da mobilidade elétrica, a BYD planeja ingressar no segmento de armazenamento de energia no Brasil, replicando modelo já adotado nos Estados Unidos com baterias estacionárias. A estratégia reforça a convergência entre os setores automotivo e elétrico, com a bateria assumindo papel central tanto na mobilidade quanto na estabilidade do sistema elétrico.

A entrada no mercado de armazenamento pode ampliar a integração com geração distribuída e contribuir para soluções de resposta à demanda e gerenciamento de picos de carga, pontos críticos no avanço da eletrificação.

Educação do consumidor e amadurecimento do mercado

Baldy também destacou os desafios iniciais de imagem enfrentados pela marca, tanto por atuar com veículos elétricos quanto por sua origem chinesa. O executivo atribui parte do crescimento ao processo de educação do consumidor sobre as diferenças entre tecnologias híbridas e 100% elétricas.

“Hoje o consumidor está mais maduro. Muitos já consideram o híbrido na próxima compra e há crescente curiosidade sobre o 100% elétrico”, diz.

O cenário aponta para um mercado em transição, no qual mobilidade elétrica, infraestrutura de distribuição e política industrial passam a dialogar de forma mais intensa. Para o setor elétrico, a expansão da frota eletrificada representa novo vetor de crescimento de demanda, desde que acompanhada de investimentos em rede, regulação adequada e planejamento integrado.