Fundo imobiliário de energia sustentável amplia portfólio em oito estados, projeta TIR real de 14,44% ao ano e reforça estratégia de renda com ativos solares de longo prazo
O SNEL11, fundo de energia limpa gerido pela Suno Asset, formalizou a aquisição de um portfólio de 20 usinas solares de geração distribuída, em um investimento total de R$ 436,2 milhões. A operação adiciona 87,5 megawatts-pico (MWp) de capacidade instalada à carteira e consolida a estratégia do fundo em ativos de infraestrutura com alta previsibilidade de geração e contratos de longo prazo.
Segundo comunicado divulgado ao mercado, os projetos estão distribuídos por 22 municípios em oito estados e devem adicionar aproximadamente 153,4 mil megawatts-hora (MWh) por ano à produção da carteira. O movimento reforça a tese do fundo de buscar ativos com receitas recorrentes, baixa volatilidade e diversificação geográfica, em linha com a crescente atratividade da geração distribuída solar no Brasil.
Retorno real e atratividade financeira
A estrutura financeira da operação indica uma Taxa Interna de Retorno (TIR) real estimada de 14,44% ao ano, desconsiderando a correção inflacionária dos contratos. O patamar é considerado competitivo dentro do segmento de geração distribuída, sobretudo em um ambiente de juros ainda elevados e maior seletividade por parte dos investidores em relação a projetos de infraestrutura.
A estimativa de retorno considera a média ponderada de aquisição dos ativos, os custos operacionais e a expectativa de geração de energia ao longo dos contratos. Na prática, o desenho da carteira oferece maior visibilidade de fluxo de caixa, característica fundamental para fundos imobiliários voltados à renda, especialmente em ativos energéticos com perfil de longo prazo.
Diversificação regional e regulatória
Os novos projetos do SNEL11 estão localizados nos estados do Paraná, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Bahia e Pernambuco. A distribuição geográfica amplia a exposição do fundo a diferentes perfis climáticos, áreas de concessão e distribuidoras, reduzindo riscos concentrados e aumentando a resiliência da carteira.
Do total negociado, 16,9 MWp já cumpriram todas as condições precedentes e tiveram o “closing” concluído, passando a integrar formalmente o patrimônio do fundo e a contribuir imediatamente para a geração de receitas. Os demais ativos seguem em fase de implantação ou finalização de trâmites contratuais.
Usinas já incorporadas ao portfólio
Entre os projetos que já passaram a compor o portfólio, destaca-se a UFV Paramirim, localizada na área de concessão da Coelba, na Bahia. A usina possui potência de 5 MW (6,72 MWp) e produção anual estimada de 12.168 MWh. A planta está em operação e arrendada à NUV Energia, com contrato de energia compensada válido até janeiro de 2030, o que garante previsibilidade de receitas ao fundo.
No Paraná, as UFVs Cruzeiro do Sul e Soleil, conectadas à rede da Copel, contam com 2,5 MW cada (3,4 MWp), totalizando uma produção estimada de 11.608 MWh por ano. Ambas estão arrendadas à Nextron, com contratos vigentes até setembro de 2029.
Já a UFV Juti, atendida pela Energisa em Mato Grosso do Sul, possui 2,5 MW (3,37 MWp) e geração projetada de 6.945 MWh anuais. A usina está em operação e em fase final de locação, com expectativa de seis meses de Renda Mínima Garantida (RMG), mecanismo que reduz o risco de vacância e protege o fluxo de caixa inicial do ativo.
Geração distribuída e fundos de infraestrutura
O movimento do SNEL11 ocorre em um contexto de consolidação da geração distribuída como classe de ativos relevante no mercado de capitais. Com mais de 44 GW de potência instalada no Brasil, segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), o segmento tem atraído cada vez mais investidores institucionais, fundos imobiliários e veículos de infraestrutura, interessados em contratos de longo prazo e receitas indexadas.
Além do apelo ambiental, a geração solar distribuída se destaca pela previsibilidade operacional, baixo risco tecnológico e maior aderência a modelos de locação de ativos, especialmente em projetos com energia compensada e contratos com empresas de médio e grande porte.
A gestora do SNEL11 informou que as aquisições estão alinhadas à estratégia do fundo e que o mercado será atualizado sobre novos marcos relevantes. O comunicado oficial, datado de 29 de janeiro, foi assinado pela Singulare Corretora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., administradora do fundo.



