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Proposta de revisão tarifária da CPFL Santa Cruz prevê efeito médio de 16,75% para 2026

Proposta de revisão tarifária da CPFL Santa Cruz prevê efeito médio de 16,75% para 2026

Audiência pública em Itapetininga (SP) detalha pressões de encargos setoriais e custos de transmissão; consulta pública segue aberta para contribuições até 07 de fevereiro

O cenário tarifário para o interior paulista, sul de Minas e norte do Paraná entrou em uma fase crítica de debate regulatório. Na manhã desta sexta-feira (23), a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) conduziu, em Itapetininga (SP), a audiência pública presencial para discutir os parâmetros da Revisão Tarifária Periódica (RTP) 2026 da CPFL Santa Cruz. A proposta inicial da agência reguladora aponta para um impacto médio de 16,75% nas faturas de energia, refletindo o peso crescente dos componentes financeiros e dos custos de compra de energia no sistema.

A CPFL Santa Cruz, que opera uma rede que abrange 45 municípios e atende aproximadamente 527 mil unidades consumidoras, enfrenta um ciclo de revisão marcado por desafios estruturais. A sessão, presidida pelo assessor da diretoria da Agência, Otavio Henrique Galeazzi, reuniu representantes da indústria, sindicatos e do poder público local, evidenciando a sensibilidade do tema para a competitividade regional.

O peso dos encargos e o impacto por classe de consumo

De acordo com os dados apresentados pela ANEEL, o índice proposto não é uniforme entre as classes de consumo. Para os consumidores residenciais (B1), a alta sugerida é de 19,18%. Já para o segmento industrial e grandes consumidores atendidos em Alta Tensão, o efeito médio previsto é de 11,74%.

Classe de ConsumoÍndice Proposto (%)
Consumidores Residenciais (B1)19,18%
Baixa Tensão (Média)19,31%
Alta Tensão (Indústrias)11,74%
Efeito Médio ao Consumidor16,75%

A disparidade entre os índices reflete a sistemática de alocação de custos do setor elétrico brasileiro. Entre os vetores que impulsionaram a proposta de reajuste, a ANEEL destaca o aumento nos encargos setoriais e os custos com a transmissão de energia, itens que fogem ao controle direto da distribuidora (Parcela A), além dos componentes financeiros acumulados do processo tarifário anterior.

Participação social e defesa do consumidor

A audiência pública na sede da Prefeitura de Itapetininga serviu como termômetro para a reação do setor produtivo e da sociedade civil. O debate contou com a presença do prefeito Jeferson Brun e de lideranças da indústria têxtil local, que manifestaram preocupação com o impacto dos custos de energia na produção industrial.

Representantes da Sinergia CUT e do Conselho de Consumidores da CPFL Santa Cruz também levaram suas contribuições, focando na modicidade tarifária e na qualidade do serviço prestado em face do aumento proposto. A dinâmica presencial permitiu que os agentes locais confrontassem os dados técnicos com a realidade econômica dos municípios atendidos em São Paulo, Paraná e Minas Gerais.

Próximos passos e rito regulatório

A audiência realizada é apenas uma das etapas da Consulta Pública nº 041/2025. O processo regulatório permanece aberto para contribuições por escrito de todos os interessados até o dia 7 de fevereiro de 2026.

Este período é fundamental para que agentes do setor, associações e consumidores possam enviar subsídios que auxiliem a diretoria colegiada da ANEEL a decidir sobre o índice final. A Revisão Tarifária Periódica é um mecanismo mais profundo que o reajuste anual, pois reavalia não apenas os custos de energia, mas toda a base de ativos da concessionária e os ganhos de produtividade a serem repassados aos consumidores.