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Crise na energia: milhares de unidades habitacionais em São Paulo seguem sem ligação elétrica

Crise na energia: milhares de unidades habitacionais em São Paulo seguem sem ligação elétrica

Atrasos na conexão à rede elétrica chegam a seis meses e impactam moradores e construtoras; setor cobra medidas urgentes da Enel

A espera pela ligação de energia elétrica tem se tornado um entrave significativo para o setor imobiliário em São Paulo. Atualmente, cerca de 16 mil unidades habitacionais na capital permanecem sem conexão com a rede elétrica, gerando prejuízos para construtoras e transtornos para futuros moradores. O problema, que já se arrasta por meses, tem sido alvo de cobranças do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP) junto à Enel São Paulo, concessionária responsável pelo fornecimento de energia na região.

Na tentativa de encontrar soluções para os constantes atrasos, o SindusCon-SP se reuniu nesta terça-feira (25) com representantes da Enel na sede da concessionária. Durante o encontro, a entidade apresentou um levantamento detalhado que aponta a gravidade da situação. Segundo os dados, 7.942 unidades habitacionais aguardam há pelo menos seis meses pela ligação elétrica, enquanto outras 2.843 enfrentam atrasos que variam entre 30 e 181 dias.

Cobranças do setor e promessas da Enel

Apesar das diversas reuniões realizadas nos últimos meses, o presidente do SindusCon-SP, Yorki Estefan, destacou que as melhorias prometidas pela Enel ainda não são perceptíveis na prática. “Nós apontamos que, até o momento, não conseguimos identificar avanços concretos nos processos da Enel. Continuamos enfrentando dificuldades que vão desde a aprovação de projetos até a execução das novas ligações”, afirmou Estefan.

Diante desse cenário, a entidade sugeriu que os encontros entre o Grupo de Trabalho formado pelo SindusCon-SP e a Enel passem a ocorrer mensalmente, e não mais a cada dois meses, para acelerar a resolução das pendências.

Em resposta às críticas, a Enel garantiu que está adotando medidas para melhorar o atendimento e reduzir os atrasos. Entre as ações anunciadas, estão a contratação de novas equipes técnicas, que devem estar em operação até abril, e a chegada de novos transformadores, especialmente para suprir a demanda por conexões subterrâneas, que ainda enfrentam dificuldades logísticas.

O presidente do Conselho de Administração da Enel Brasil, Guilherme Lencastre, admitiu que, embora a empresa já tenha superado os problemas relacionados ao recebimento de materiais para ligações aéreas, os atrasos em instalações subterrâneas devem ser resolvidos dentro de um mês. Além disso, novas equipes de eletricistas estão sendo treinadas para reforçar o serviço.

Propostas para agilizar as conexões

Na tentativa de tornar o processo mais eficiente, o SindusCon-SP sugeriu que a Enel disponibilize profissionais exclusivos para atender grupos de construtoras. Com isso, cada empresa poderia encaminhar seus processos a um único responsável, que acompanharia todas as etapas dentro da concessionária, desde a aprovação dos projetos até a ligação final das unidades habitacionais.

Outro ponto levantado pela entidade foi a necessidade de melhorar a comunicação interna da Enel, garantindo maior integração entre os setores responsáveis pela aprovação das instalações civis e as equipes encarregadas das conexões elétricas.

A demora excessiva na execução das ligações programadas também foi um dos principais temas abordados na reunião. Segundo Estefan, há casos em que as conexões, mesmo após autorizadas, são adiadas por até 20 dias devido a imprevistos menores, como dificuldades logísticas e problemas no trânsito. “Não faz sentido postergar uma ligação já autorizada por tanto tempo. Isso precisa ser resolvido de forma mais eficiente”, criticou.

Impactos no setor e expectativas

Os atrasos na ligação de energia elétrica não impactam apenas as construtoras, mas também os futuros moradores que dependem da conclusão dos empreendimentos para ocupar os imóveis. Para as empresas do setor, a demora nas conexões representa um entrave financeiro significativo, uma vez que impede a entrega dos projetos dentro dos prazos estipulados.

O SindusCon-SP reforçou que continuará acompanhando de perto as ações da Enel e cobrando mudanças efetivas para garantir a normalização das ligações elétricas. A entidade também solicitou a criação de um canal técnico exclusivo entre projetistas e a concessionária, com o objetivo de acelerar a aprovação dos projetos e reduzir as pendências que dificultam a conexão das novas unidades habitacionais.

A Enel, por sua vez, reafirmou seu compromisso em resolver as questões levantadas e prometeu melhorias no curto prazo. Resta saber se, desta vez, as promessas sairão do papel e trarão alívio para um problema que afeta milhares de pessoas na maior cidade do país.

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