Companhia enfrenta aumento de custos e impacto financeiro, mas mantém crescimento da receita e segue remunerando acionistas
A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) encerrou o quarto trimestre de 2024 com um lucro líquido de R$ 998 milhões, uma redução de 47,1% em relação ao mesmo período de 2023. O desempenho foi pressionado pelo aumento expressivo das despesas operacionais e financeiras, que comprometeram a rentabilidade da empresa, mesmo diante do avanço na receita.
O Ebitda (Lucro antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) da companhia também apresentou queda, totalizando R$ 1,914 bilhão no trimestre, um recuo de 21,9% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Apesar da retração nos resultados financeiros, a Cemig registrou um aumento de 12,3% na receita líquida, que alcançou R$ 11,177 bilhões no período. O avanço foi impulsionado principalmente pelo crescimento do volume de vendas e por reajustes tarifários aplicados ao longo do ano. No entanto, os impactos negativos sobre a margem de lucro evidenciam os desafios enfrentados pela companhia diante do aumento de custos e do cenário macroeconômico adverso.
Crescimento dos custos pesa sobre o balanço
O aumento das despesas operacionais foi um dos principais fatores que comprometeram a performance da Cemig no trimestre. O indicador saltou 88,8% na comparação anual, totalizando R$ 519 milhões. Esse crescimento reflete, em parte, a necessidade de investimentos na modernização da infraestrutura e na manutenção da qualidade do serviço prestado aos consumidores.
Outro fator determinante para a queda do lucro foi a alta expressiva das despesas financeiras líquidas, que subiram 304,4% no período, atingindo um resultado negativo de R$ 396 milhões. O impacto veio, principalmente, do aumento do custo da dívida da empresa, refletindo a manutenção dos juros elevados no Brasil e a necessidade de financiamento para seus projetos.
O lucro bruto da Cemig também registrou retração de 8,9% no quarto trimestre, somando R$ 2,037 bilhões. O resultado demonstra o impacto do aumento dos custos sobre a margem operacional da companhia, que precisará buscar maior eficiência em suas operações para garantir uma recuperação nos próximos trimestres.
Distribuição de proventos mantém atratividade para investidores
Mesmo com a redução do lucro, a Cemig manteve sua política de remuneração aos acionistas e aprovou a distribuição de R$ 541 milhões em Juros sobre o Capital Próprio (JCP). O montante equivale a R$ 0,1891 por ação e será pago em duas parcelas iguais, sendo a primeira até 30 de junho de 2026 e a segunda até 30 de dezembro de 2026.
Os acionistas que possuírem papéis da empresa até 25 de março de 2025 terão direito ao pagamento, o que reforça o compromisso da companhia em manter a atratividade de suas ações no mercado, mesmo diante de um cenário de queda nos resultados financeiros.
Desafios e perspectivas para 2025
O desempenho da Cemig no quarto trimestre reflete um momento desafiador para a empresa, que precisa lidar com o aumento dos custos operacionais e financeiros ao mesmo tempo em que busca manter sua estratégia de crescimento e investimentos.
Para 2025, a companhia deve concentrar esforços na eficiência operacional e na gestão da dívida, buscando reduzir o impacto dos custos financeiros sobre seu balanço. Além disso, investimentos em fontes renováveis e na modernização da infraestrutura elétrica devem continuar sendo prioridades, alinhando a empresa às novas demandas do setor energético e às diretrizes ambientais.
Os investidores e o mercado seguirão atentos à capacidade da Cemig de equilibrar crescimento e rentabilidade, garantindo a sustentabilidade de seus negócios no longo prazo. O pagamento de proventos, mesmo diante da queda no lucro, reforça a confiança da empresa em sua estratégia e no potencial de recuperação de seus resultados ao longo dos próximos trimestres.