StartSe Energy Revolution Day 2025 aponta que a eletricidade deixou de ser apenas custo e se tornou decisão estratégica para empresas e governos
São Paulo recebeu, na última terça-feira (19), um dos eventos mais relevantes sobre o futuro da energia e da inovação tecnológica: o StartSe Energy Revolution Day 2025, realizado no Expo Center Norte. Durante dez horas de debates intensos, especialistas e executivos de setores estratégicos como tecnologia, finanças e infraestrutura discutiram os impactos da transição energética, do crescimento exponencial dos data centers e da ascensão da inteligência artificial (IA) sobre a matriz elétrica nacional e global.
A principal conclusão foi clara: a energia deixou de ser apenas um insumo operacional para se tornar um pilar estratégico de competitividade, reputação e sustentabilidade. Empresas que não se anteciparem correm risco de enfrentar gargalos logísticos e financeiros, enquanto aquelas que planejarem a transição estarão mais bem posicionadas para capturar vantagens de mercado.
Data centers: o novo gargalo energético
Um dos painéis de maior destaque foi “Data Centers e Abastecimento – O Gargalo Energético do Século”, conduzido por Renan Lima Alves, presidente da Associação Brasileira de Data Centers e CEO da BOOST Engenharia, ao lado de Elisa Bastos, diretora de Assuntos Corporativos do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
Renan ressaltou que a pandemia foi um divisor de águas para o desenvolvimento setor digital. “O mercado de data centers avançou em meses o que era projetado para quase uma década. Antes da pandemia, grandes estruturas consumiam de 6 a 10 MW. Hoje, falamos de operações que chegam a 40 ou 50 MW. É um salto impressionante que pressiona diretamente a infraestrutura elétrica do país”, afirmou.
O executivo destacou ainda que, sem reforço das redes de distribuição e maior planejamento, a digitalização corre o risco de encontrar limites estruturais. “A energia se tornou um fator determinante para a competitividade das empresas. O desafio não é apenas expandir a capacidade instalada, mas garantir acesso elétrico confiável e de qualidade”, completou.
Bancos e investidores já veem energia como prioridade estratégica
Outro momento decisivo foi a mesa-redonda “Oportunidades do Setor Sob a Ótica dos Bancos”, com a participação de Gustavo Cintra (BTG Pactual Empresas), Bernardo Alvarenga (Itaú BBA) e Gustavo Ribeiro (Thopen).
O debate evidenciou como o mercado financeiro já enxerga a transição energética não apenas como tendência, mas como critério estratégico para análise de risco e de retorno de investimentos.
Para Bernardo Alvarenga, a comunicação com empresários e consumidores ainda é um ponto-chave. “Muitos não estão familiarizados com termos técnicos, como fora-ponta, modulação ou curtaiment. Nosso papel é traduzir essa complexidade e oferecer alternativas claras e acessíveis, que facilitem a tomada de decisão.”
O executivo reforçou que não existe solução única, mas uma pluralidade de caminhos: mercado livre de energia, projetos fotovoltaicos próprios ou até modelos de assinatura de energia. “Mais do que vender kilowatts, o desafio é entregar uma experiência fluida, digital e sem burocracia, que permita ao cliente enxergar a energia como ativo estratégico e não apenas como despesa”, destacou.
NVIDIA e o impacto da inteligência artificial na demanda global
Um dos pontos altos foi a participação da NVIDIA, referência global em hardware para inteligência artificial. Representada por Márcio Aguiar, diretor da empresa na América Latina, a companhia apresentou a palestra “Como a inteligência artificial está pressionando a demanda energética global — e por que as empresas precisam se antecipar”.
Aguiar ressaltou que o avanço das chamadas fábricas de inteligência artificial está redesenhando a lógica da tecnologia.
“Assim como existem fábricas de automóveis ou aeronaves, agora surgem estruturas dedicadas a transformar dados em valor para os negócios. Até 2030, mais de 40% dos data centers precisarão ser totalmente modernizados. Não é apenas adicionar servidores: é uma reconstrução completa para acompanhar a velocidade da IA”, afirmou.
Ele reforçou que o data center já se consolidou como o ‘computador do futuro’, exigindo ambientes projetados com GPU, maior eficiência energética e integração direta com softwares e aplicações.
Transição energética como estratégia nacional
Ao final do encontro, ficou evidente que a transição energética não é apenas inevitável, mas estratégica para empresas, governos e sociedade. A eletricidade assumiu protagonismo econômico, e os gargalos de energia podem se tornar o “novo colapso logístico” se não forem enfrentados com planejamento.
Mais do que diagnósticos, o StartSe Energy Revolution Day mostrou que o futuro da energia depende de colaboração entre tecnologia, finanças e infraestrutura. Quem se antecipar estará melhor preparado para transformar riscos em vantagem competitiva e construir crescimento sustentável no longo prazo.



