Novo estudo revela crescimento expressivo e aponta armazenamento como peça-chave para a estabilidade do sistema elétrico
A transição energética no Brasil está ganhando um novo aliado estratégico: o armazenamento de energia. De acordo com um estudo recente da Greener, o setor registrou um crescimento de 29% em 2024, com a instalação de 269 MWh em sistemas de armazenamento a bateria no país. O levantamento também aponta que esse mercado pode movimentar mais de R$ 22,5 bilhões até 2030, consolidando-se como um dos segmentos mais promissores do setor elétrico brasileiro.
O armazenamento de energia vem se tornando essencial para garantir maior segurança no fornecimento e melhor integração de fontes renováveis à matriz elétrica. Segundo o relatório, a confiabilidade do sistema é o principal fator que impulsiona a adoção das baterias no Brasil. A instabilidade no fornecimento de eletricidade, com frequentes apagões e interrupções prolongadas, gera prejuízos expressivos para consumidores residenciais e empresariais, tornando o investimento em sistemas de backup cada vez mais atrativo.
Além disso, o mercado de armazenamento pode mitigar desafios como o curtailment – situação em que geradores renováveis precisam desligar suas operações devido à incapacidade do sistema de absorver a energia gerada. Com um cenário de crescente adoção de energia solar e eólica, o armazenamento surge como solução para evitar desperdícios e garantir um suprimento energético estável e contínuo.
Expansão e desafios do mercado de armazenamento no Brasil
Desde o início da adoção dessa tecnologia, o Brasil já acumulou 685 MWh de capacidade instalada, sendo que 70% dessa energia está alocada em sistemas isolados, como comunidades remotas e áreas não atendidas pela rede elétrica convencional. Esse dado evidencia o papel fundamental do armazenamento para levar energia a locais de difícil acesso, promovendo desenvolvimento social e econômico.
No entanto, apesar do avanço significativo, o Brasil ainda enfrenta desafios para ampliar a implementação desses sistemas em larga escala. Um dos principais obstáculos é o alto custo de capital e a falta de incentivos regulatórios adequados. O estudo destaca que, embora o país tenha um grande potencial para expandir essa tecnologia, ainda precisa superar entraves financeiros e burocráticos para atingir um crescimento mais robusto.
No cenário global, o armazenamento de energia está se tornando uma tendência irreversível. Até 2030, estima-se que a potência instalada de sistemas de baterias no mundo ultrapasse 760 GW, com destaque para China e Estados Unidos, que lideram tanto em projetos de grande escala quanto em aplicações comerciais e residenciais. A Alemanha e a Itália também aparecem como referências na adoção de baterias para consumidores finais, enquanto na América Latina e na região do Pacífico, os avanços são mais lentos devido às dificuldades regulatórias e econômicas.
Leilão de Reserva de Capacidade pode impulsionar novos investimentos
Apesar das barreiras existentes, 2025 promete ser um ano decisivo para o setor no Brasil. Um dos fatores que podem acelerar a adoção do armazenamento em larga escala é a realização do Leilão de Reserva de Capacidade de Armazenamento, prevista para este ano. Essa medida pode atrair investimentos em projetos de grande porte, tornando a tecnologia mais acessível e impulsionando seu crescimento no país.
Segundo Marcio Takata, CEO da Greener, o armazenamento será fundamental para a transição energética brasileira e para a estabilidade do sistema elétrico.
“O mercado de armazenamento é peça-chave para a transição energética no Brasil, permitindo a integração de fontes renováveis à matriz elétrica e proporcionando maior estabilidade ao sistema. Com o aumento da demanda e preços mais competitivos, esse mercado continua avançando. A realização do Leilão de Reserva de Capacidade pode abrir novas portas para investimentos em larga escala”, afirma Takata.
Com um cenário cada vez mais favorável à expansão da energia renovável no Brasil, o armazenamento surge como uma solução indispensável para garantir a confiabilidade do sistema e viabilizar um crescimento sustentável do setor elétrico. À medida que a tecnologia avança e os custos diminuem, a expectativa é que a adoção de baterias se torne um elemento essencial da matriz energética nacional.