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Calor extremo faz consumo de energia bater novo recorde no Brasil

Calor extremo faz consumo de energia bater novo recorde no Brasil

Em meio a temperaturas elevadas, demanda no Sistema Interligado Nacional atinge marca histórica de 105.475 MW

O calor intenso que tem marcado o verão brasileiro não impacta apenas o bem-estar da população – ele também tem reflexos diretos no setor elétrico. Na última segunda-feira (24), às 14h49, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) registrou um novo recorde de demanda instantânea no Sistema Interligado Nacional (SIN): impressionantes 105.475 MW. Esse é o quinto recorde de carga do ano e o quarto apenas em fevereiro, reflexo direto das altas temperaturas que vêm sendo registradas em diversas regiões do país.

O novo patamar supera o recorde anterior, registrado apenas três dias antes, em 21 de fevereiro, quando o pico foi de 104.732 MW. No acumulado do ano, a carga no SIN já subiu 2.665 MW – um crescimento que reforça a importância de um sistema elétrico robusto para atender à demanda crescente da população e do setor produtivo.

Apesar do forte aumento no consumo, o ONS garantiu que o sistema elétrico brasileiro segue operando com segurança, conseguindo atender plenamente à demanda registrada nas últimas semanas. Isso demonstra que os investimentos em infraestrutura e a diversificação da matriz energética têm sido eficazes para sustentar picos de consumo sem comprometer o fornecimento.

O calor como fator determinante para o aumento da demanda

O impacto das altas temperaturas no consumo de energia não é novidade, mas os números deste ano chamam a atenção. Com um verão escaldante, as famílias e empresas recorrem cada vez mais ao uso intenso de aparelhos de ar-condicionado, ventiladores e sistemas de refrigeração. Esse fenômeno tem sido sentido principalmente nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul, que vêm enfrentando sucessivas ondas de calor.

Segundo meteorologistas, os picos de temperatura nas primeiras semanas do ano explicam a sequência de recordes no consumo de energia. Em fevereiro, por exemplo, os dias 11, 12, 21 e 24 registraram sucessivas quebras de recorde na demanda instantânea. A tendência é que esse comportamento se repita caso as temperaturas continuem elevadas nos próximos meses.

Outro fator que influencia esse crescimento no consumo é a retomada econômica e o aumento das atividades industriais e comerciais. Com a volta das operações em ritmo acelerado, setores que dependem de refrigeração e climatização intensiva também puxam para cima o volume de carga exigido do SIN.

Sistema elétrico está preparado para novos picos?

Diante desse cenário, a grande questão que surge é: o Brasil está preparado para sustentar esse nível de consumo energético sem riscos de colapso?

O ONS garante que, até o momento, não há sinais de risco no abastecimento, já que o SIN está operando de forma segura e dentro da capacidade planejada. No entanto, especialistas alertam para a necessidade contínua de investimentos no setor elétrico, incluindo expansão das fontes renováveis, aprimoramento da transmissão e modernização da infraestrutura.

Com a diversificação da matriz energética brasileira, que inclui um crescimento expressivo da geração solar e eólica, o país ganha maior resiliência para lidar com picos de demanda. Ainda assim, o avanço da eletrificação em diversos setores exige um planejamento estratégico para evitar sobrecargas no futuro.

Para os consumidores, o momento é de atenção ao uso consciente da energia. Adotar práticas de eficiência energética, como evitar o uso excessivo de aparelhos elétricos em horários de pico e investir em equipamentos mais eficientes, pode ajudar a reduzir impactos no sistema e na conta de luz.

O recorde de 105.475 MW registrado nesta semana pode ser apenas um reflexo do verão atípico que o Brasil enfrenta. Mas, olhando para o futuro, fica o alerta: com temperaturas cada vez mais extremas e um consumo crescente, a segurança energética precisará ser uma prioridade permanente na agenda do país.

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